Como é estranho e maravilhoso estar enganado de vez em quando, não é mesmo? Poder abandonar, mesmo que momentaneamente a segurança das certezas e aventurar-se rumo ao desconhecido, sem saber o que encontrar, mas com a sensação de que este encontro modificará por completo a sua vida... Algo indescritível, que ainda não foi medido, pesado, talvez até por medo de que um olhar mais atento e desarmado implique na revisão honesta de uma crença até então inabalável, mas que não tem jeito, fatalmente será jogado por terra...
Antes que os poucos leitores que perdem seu tempo lendo esse arremedo de crônica pensem que o cronista que vos fala ficou de coração mole e assumiu um ar solene, aviso que é bem por aí mesmo, e não me faltam motivos pra isso. Afinal, eu vi, ouvi e senti toda energia de estar no mesmo espaço de um Beatle vivo. E pra quem me conhece, sabe o quanto isso é sério pra mim.
Pois é. Eu fui ao Rio de Janeiro e, a despeito de toda a falta de estrutura da cidade maravilhosa em receber a horda de filhos da beatlemania, devo dizer que ainda assim, a casa do Cristo Redentor me surpreendeu. Em primeiro lugar, é meu dever pedir desculpas ao lugar que tão bem me acolheu. As ruas, os taxis, as senhorinhas de cabelos lilases impregnadas de alfazema, com seus brincos e colares de pérola, fizeram -me enxergar bem mais além dos quase trezentos corpos de seres humanos largados aos porcos, na famigerada invasão de um dos complexos residenciais mais violentos do país. O Rio, meus caros, é bem maior que isso. Maior e mais bonito.
Começo a minha odisséia ao desembarcar no Galeão. Quem o conhece sabe que ele fica bem distante do centro da cidade. Por aí, já seria de esperar que o senso comum gritasse mais alto e que a fama de aproveitador de alguns cariocas “espertos” ganhasse corpo. Ledo engano! Enquanto esperava por mais um fã ensandecido que ainda voava os céus da baía da Guanabara, resolvi conhecer gente. Deste fã eu falarei mais adiante. Por ora, atenho-me àquela figura de taxista que tão bem me atendeu. Um autêntico brasileiro, daqueles que trabalha, paga as contas quando pode e surpresa! , honesto.
Perguntado sobre quanto me cobraria pela corrida, respondeu que não queria meu dinheiro, apenas o dele, coitado. Seu nome é Ricardo e fez por merecer ter o seu nome neste relato mambembe. Graças a ele namorei as vias urbanas que só conhecia das novelas, flertei com as placas de sinalização e me encantei ao menos umas três vezes com a vida, que teima em dar as caras no cartão-postal do Brasil.
Já devidamente instalado na casa de um sujeito bonachão e de boa paz (Feijão, meu amigo, não tenho como lhe agradecer!) seguimos à risca o manual da boa convivência entre cariocas: bebemos feito irlandeses. À noite, rumamos para a Lapa, coração da boemia e não por acaso, o ponto de encontro marcado de milhares de seguidores da religião Fab Four. Confesso que há tempos não era tomado por aquele sentimento de comunhão e êxtase, típicos de quem sabe estar a poucas horas de realizar o sonho de uma vida. Fui então invadido pela paz.
Como bom curioso, procurei me informar sobre um local de diversão verdadeiramente carioca, não aquelas atrações feitas para turistas endinheirados, o que definitivamente não era meu caso. Dei de cara com um típico hippie, que me indicou um samba de raiz, com uma cerveja tão gelada quanto possível, e a um preço ridículo, de tão barata. Foi bom, assim consegui abstrair a minha atenção com outra coisa que não o show do dia seguinte.
Por conta da bebedeira, quase não me levantei para o grande dia. Passei mal como há muito tempo não passava. Uma ressaca guerra que catapultou o tampão de minha cabeça à estratosfera quase estraga tudo. Sob o efeito da marvada, cheguei ao cúmulo de dizer que não iria. Graças ao fã do qual falei quatro parágrafos acima (Valeu elegante!) consegui juntar as forças, levantei-me resoluto e me dirigi ao local do show.
Eu poderia aqui desfiar um rosário para descrever a vergonha que nos aguarda para a copa de 2014, mas isso seria tão pequeno diante do que estaria por vir que dei de ombros à miséria dos trens do subúrbio. Tudo me encantava; as pichações, o ninho de fios elétricos que margeia a linha férrea, o trem que carrega tantos brasileiros dentro e fora dele e que mais parece um vagão de carga, repleto de judeus rumo ao forno, e toda pobreza no entorno. Liguei o “foda-se” e fui. Ao descer do trem em Engenho de Dentro (bota dentro nisso!) e escorregar pela rampa que dava acesso ao show, ouvi uma voz familiar.
Se pudesse exemplificar o que senti por dentro ao ouvir aquela voz, seria o equivalente ao tranco que um carro dá quando tentamos dar a partida em quarta marcha. Minha garganta virou o reduto de uma bola de sinuca, a voz embargou, os olhinhos de criança em manhã de natal boiaram em lágrimas e quase enlouqueci. Era o cara. Não teve como não me lembrar daquelas imagens de fãs surtadas dos anos sessenta, chorando como se estivessem diante de Deus, e que tanto condenei e fiz troça. No fim, acabei por fazer o mesmo.
E daí por diante, não parei mais. Foram longas seis horas de espera, e a cabeça não parava de doer. Talvez pela ressaca da noite anterior, talvez pela ansiedade, não sei precisar. Aos poucos, um mar de gente se formou, todos na mesma sintonia, com o sorriso patenteado que só quem esteve lá consegue compreender. Uma observação: Nenhum incidente, grosseria, empurra-empurra. Que platéia educada. Pensei comigo: eles tiveram pai e mãe.
Quando Sir Paul MacCartney entrou minúsculo naquele palco de proporções faraônicas e acenou para a multidão, pensei estar diante de um sonho do qual não queria acordar. Por um momento, quase tive raiva de John Lennon e sua infame declaração de que “o sonho acabou” e me pus a pensar no que ele diria se pudesse ver toda aquela devoção e entusiasmo. Acho que de certa forma, ele viu. “Here Today”, uma homenagem de Paul ao eterno parceiro, deve tê-lo corado de vergonha onde quer que ele esteja, aposto. Ainda mais no trecho da música em que diz: “O que você diria se me visse agora cantando essa música pra você? Talvez dissesse que somos de mundos diferentes, mas ainda assim eu sinto a sua falta.” Ponto para o Paul!
Macca esbanjou, aos sessenta e oito anos, toda a vitalidade, paixão e intensidade que me fez, aos oito anos, pedir de natal meu primeiro disco, o clássico “HELP”. Aos primeiros acordes de “Hello Goodbye”, quem quase pediu socorro fui eu, ainda sem acreditar no que via e ouvia. A sequência foi ainda mais arrebatadora: “Jet”, “Drive my Car”, “Sing the Changes” e muitas outras que, em três horas de culto, marcaram igualmente – talvez com um pouco mais de entusiasmo em “Hey Jude” e “Helter Skelter” - a vida deste fã abobalhado que vos fala.
E finalmente, o Pout- Pourri. Foi aí que me dei conta de que aquelas notas representavam o clímax de uma noite que ficaria guardada na memória para sempre, a minha e a de meu computador. “Sgt. Peppers Reprise” e “The end” foram executadas pelo Sr. MacCartney num tom que eu realmente considero agora como sendo de despedida. Na saída, totalmente em estado narcoléptico, já sem dor de cabeça nenhuma e ainda com cara de quem não acreditava no que havia visto, concluí que poderia morrer tranquilo.
Toda aquela magia me fez perceber que eu deveria engolir toda aquela conversa sobre quem era o melhor do Beatles e coisas que tais. Eu teria pela frente uma tarefa muitíssimo grata e fácil de cumprir. Não vi John Lennon em ação, muito menos George Harrison. Do Ringo, coitado, eu nem falo (Não é mesmo, seu Edu?). Eu sei muito bem o que vi. E tenho plena convicção: ele ainda é Sir Paul MacCartney, o penúltimo dos moicanos, a penúltima cabeça do monstro, uma lenda, um Beatle, o melhor dos quatro. É, amigos, eu tive que engolir esse sapo. E engoli feliz.
sábado, 28 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Sinceridade, pra variar.
Escrevo como se me livrasse de um tumor maligno. Nessas horas, confesso, não penso em mais nada, não presto atenção em mais nada além da sensação de alívio que sinto ao vomitar na tela brilhante tudo aquilo que me mata aos poucos e que me rouba a vontade de continuar.
Simplesmente escrevo e faço desse momento egoísta um átimo petrificado. Excito-me com a atmosfera erótica que se instala e que se substancia alquimicamente no poder de parar o tempo e de transformar o peso do chumbo que representa toda podridão, mau-caratismo e todo ódio_ que jurei por todos os deuses não mais passar adiante_ em áureo alívio. É uma sensação orgástica e quase tão boa quanto ser o senhor das horas e poder fazer delas o que bem entender. Até mesmo não fazer nada com a consciência tranquila.
Escrevo pra não morrer de tédio ou de excesso de verdade aprisionada nas veias. Escrevo, mesmo sabendo que vivo em uma terra de Citas vestidos de zebras que torcem pra que a mediocridade sempre prevaleça. Para esses, nenhuma vírgula mal empregada, nenhuma mesura, nem mesmo um copo d’água. Não escrevo para vocês. Não mesmo. E não, não se trata de uma questão de ira, recalque ou de algum outro sentimento inferior, mas de dignidade.
Escrevo com a certeza de que o que faço é algo totalmente particular, um inventário de mim mesmo, mas imbuído de uma esperança em estado terminal de que alguém se tenha despido do próprio umbigo, e assim, talvez possa se identificar e vir com os seus olhos embaçados minha tresloucada mania de teimar em existir e em escrever.
Aliás, é preciso que seja assim. Caso contrário, que outro alento eu teria? Do que mais falaria? Não falo de amor, porque esse eu realmente não conheço. Não falo dos outros porque essa tarefa não cabe a mim. Não falo das coisas belas da vida por covardia e medo de torná-las coisas feias. Falo de mim por ser mais fácil, por ser criança e por ter medo daquilo que não posso controlar. Escrevo e falo em primeira pessoa como quem pede socorro.
Sendo assim, admito a culpa; culpa por não ter habilidade alguma em lidar com o paradoxo entre a ânsia de ser compreendido e o fato de estar pouco me lixando pro resto do mundo. Sou réu confesso e assumo: escrevo porque, se falasse, mentiria.
Simplesmente escrevo e faço desse momento egoísta um átimo petrificado. Excito-me com a atmosfera erótica que se instala e que se substancia alquimicamente no poder de parar o tempo e de transformar o peso do chumbo que representa toda podridão, mau-caratismo e todo ódio_ que jurei por todos os deuses não mais passar adiante_ em áureo alívio. É uma sensação orgástica e quase tão boa quanto ser o senhor das horas e poder fazer delas o que bem entender. Até mesmo não fazer nada com a consciência tranquila.
Escrevo pra não morrer de tédio ou de excesso de verdade aprisionada nas veias. Escrevo, mesmo sabendo que vivo em uma terra de Citas vestidos de zebras que torcem pra que a mediocridade sempre prevaleça. Para esses, nenhuma vírgula mal empregada, nenhuma mesura, nem mesmo um copo d’água. Não escrevo para vocês. Não mesmo. E não, não se trata de uma questão de ira, recalque ou de algum outro sentimento inferior, mas de dignidade.
Escrevo com a certeza de que o que faço é algo totalmente particular, um inventário de mim mesmo, mas imbuído de uma esperança em estado terminal de que alguém se tenha despido do próprio umbigo, e assim, talvez possa se identificar e vir com os seus olhos embaçados minha tresloucada mania de teimar em existir e em escrever.
Aliás, é preciso que seja assim. Caso contrário, que outro alento eu teria? Do que mais falaria? Não falo de amor, porque esse eu realmente não conheço. Não falo dos outros porque essa tarefa não cabe a mim. Não falo das coisas belas da vida por covardia e medo de torná-las coisas feias. Falo de mim por ser mais fácil, por ser criança e por ter medo daquilo que não posso controlar. Escrevo e falo em primeira pessoa como quem pede socorro.
Sendo assim, admito a culpa; culpa por não ter habilidade alguma em lidar com o paradoxo entre a ânsia de ser compreendido e o fato de estar pouco me lixando pro resto do mundo. Sou réu confesso e assumo: escrevo porque, se falasse, mentiria.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Matéria da coluna SV cine - SV Revista Edição Verão. Novembro, 2010.
Quando o diretor Bruce Brown lançou Endless Summer em 1966, fez mais que emudecer espectadores dos sete mares com a clássica cena de abertura, em que um sol de vermelhidão incandescente iluminava toda a sala escura. Sem querer, deu início a uma atividade que afetaria definitivamente aquele ano e todos os anos seguintes: a produção de filmes para o verão.
De lá pra cá a fórmula foi aprimorada e manteve viva a chama e o charme do cinema, que prova estar vivo como nunca e promete esquentar ainda mais a estação. A temporada de lançamentos para as férias já começou a todo vapor e, a julgar pelo que vem por aí, a aposta das gigantes FOX Films e Sony Pictures será nos remakes, que têm se mostrado uma fórmula altamente rentável e não raro, arregimentado hordas de fãs que procuram uma diversão leve e descompromissada às salas de todo o mundo.
O ator norte-americano Jack Black (Escola de Rock, Kung fu Panda), protagonista de produções que oscilam entre a escatologia e o pastelão retorna às telas e estrela a refilmagem de As Viagens de Gulliver, aventura épica baseada no clássico livro do irlandês Johnathan Swift, que relata as peripécias deste viajante e o seu encontro com os diminutos habitantes da fictícia ilha de lilliput.
Por seu turno, Cameron Diaz (As Panteras, Quem vai ficar com Mary?) dará vida à secretária do jornalista Britt Reid (Seth Rogen) em O Besouro Verde. A atriz emprestará sua desenvoltura a esta que será a segunda adaptação em vídeo (a primeira versão foi uma novela de rádio, exibida nos anos 40 do século XX) da famosa série exibida nos anos setenta, imortalizada pela lenda das artes marciais sino-americana Bruce Lee, como o mordomo/fiel escudeiro Kato.
Black e Cameron representam fielmente, cada um a sua maneira, todo o espírito que permeia este gênero cinematográfico que privilegia a ação, diálogos rápidos, muita pirotecnia, sem perder aquela que é a característica mais importante de um filme de férias, sua capacidade de entreter. Ambos são exemplos de medalhões que em breve, brilharão nas telas e farão a alegria de quem trabalhou o ano inteiro, e que agora só quer sossego para curtir junto à família e os amigos bons momentos de distração.
O modo de se fazer filmes, bem ou mal, mudou muito. Felizmente, a força que deles emana não se perdeu com o tempo, e sua a magia ainda tem muito a nos encantar. É por esse motivo que entra ano e sai ano, as salas ficam cheias, o cheirinho da pipoca invade o ambiente e a luz do projetor tremula na escuridão. E nosso amigo, o bom e velho cinema, continua a ser “a maior diversão”.
De lá pra cá a fórmula foi aprimorada e manteve viva a chama e o charme do cinema, que prova estar vivo como nunca e promete esquentar ainda mais a estação. A temporada de lançamentos para as férias já começou a todo vapor e, a julgar pelo que vem por aí, a aposta das gigantes FOX Films e Sony Pictures será nos remakes, que têm se mostrado uma fórmula altamente rentável e não raro, arregimentado hordas de fãs que procuram uma diversão leve e descompromissada às salas de todo o mundo.
O ator norte-americano Jack Black (Escola de Rock, Kung fu Panda), protagonista de produções que oscilam entre a escatologia e o pastelão retorna às telas e estrela a refilmagem de As Viagens de Gulliver, aventura épica baseada no clássico livro do irlandês Johnathan Swift, que relata as peripécias deste viajante e o seu encontro com os diminutos habitantes da fictícia ilha de lilliput.
Por seu turno, Cameron Diaz (As Panteras, Quem vai ficar com Mary?) dará vida à secretária do jornalista Britt Reid (Seth Rogen) em O Besouro Verde. A atriz emprestará sua desenvoltura a esta que será a segunda adaptação em vídeo (a primeira versão foi uma novela de rádio, exibida nos anos 40 do século XX) da famosa série exibida nos anos setenta, imortalizada pela lenda das artes marciais sino-americana Bruce Lee, como o mordomo/fiel escudeiro Kato.
Black e Cameron representam fielmente, cada um a sua maneira, todo o espírito que permeia este gênero cinematográfico que privilegia a ação, diálogos rápidos, muita pirotecnia, sem perder aquela que é a característica mais importante de um filme de férias, sua capacidade de entreter. Ambos são exemplos de medalhões que em breve, brilharão nas telas e farão a alegria de quem trabalhou o ano inteiro, e que agora só quer sossego para curtir junto à família e os amigos bons momentos de distração.
O modo de se fazer filmes, bem ou mal, mudou muito. Felizmente, a força que deles emana não se perdeu com o tempo, e sua a magia ainda tem muito a nos encantar. É por esse motivo que entra ano e sai ano, as salas ficam cheias, o cheirinho da pipoca invade o ambiente e a luz do projetor tremula na escuridão. E nosso amigo, o bom e velho cinema, continua a ser “a maior diversão”.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
F.O.M.E..
Ela acorda com um sorriso de quem acabou de receber flores
Beija-me com a boca desbotada pela noite bem dormida
O que mais poderia eu querer? Dizer não?
Sinto culpa por fazê-la se sentir assim
Tão dona de mim.
A fome, enorme.
O banheiro, pequeno.
Um espasmo de humanidade,
Ou um surto de egoísmo?
Estou sozinho agora.
Sem comer nem comer
Crime e castigo
E tudo por causa de uma botija de gás. Que acabou.
Beija-me com a boca desbotada pela noite bem dormida
O que mais poderia eu querer? Dizer não?
Sinto culpa por fazê-la se sentir assim
Tão dona de mim.
A fome, enorme.
O banheiro, pequeno.
Um espasmo de humanidade,
Ou um surto de egoísmo?
Estou sozinho agora.
Sem comer nem comer
Crime e castigo
E tudo por causa de uma botija de gás. Que acabou.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
O Cérbero de Pindorama.
Pra começo de conversa, vamos parar com essa mania besta de escrever bonito. Afinal, pra que enfeitar as “platibandas do burro”, se ninguém de fato lê o que escrevemos? É verdade, podem reparar. Eu sinceramente perdi o encanto e o deslumbre pelas letras muito arrumadinhas à custa de gumex. E sabe por quê? Porque ninguém está nem aí! E se quem lê não liga a mínima, eu é que vou ligar?
Eu assumo. Esta crônica é na verdade, um desabafo rancoroso de quem não sabe nem para onde atira e muito menos qual é o alvo de tal ódio. Queria poder dar nomes aos bois e listá-los por ordem de prioridades, mas não sei nem por onde começo. E a voz.... a voz.... essa maldita voz da consciência que me perturba e que me impele a escrever, mesmo sem um assunto na ponta da pena que o valha. Essa maldita voz que me empurra na direção do abandono, da desesperança e da solidão, meus fiéis companheiros; a mesma voz que ora me levanta nas alturas em júbilo obsceno, ora me atira às profundezas da mesquinharia.
É, você tem razão, eu sou um burro. E não me refiro ao falante da história bíblica nem o da obra de Monteiro Lobato.
Sou uma besta prestes a jogar fora uma preciosa fatia do meu tempo na confecção desta coletânea de abobrinhas, na vã tentativa de me tornar um escritor pior e assim, ter do que reclamar. Tenho comido de menos e fumado demais, sem achar graça nenhuma na vida e com a nebulosa certeza de que sou um caso perdido. Por isso é que escrevo. Se eu fosse realmente esse "cara valente" que acreditei que fosse a vida inteira, teria feito como Hemingway. Ele foi mais corajoso, não é verdade?
Como não disponho nem de uma carabina e nem de colhões para tanto, resigno-me à situação e toco a minha vidinha sem graça sem lirismos, nem conversa fiada. A vidinha de um cara que escreve e nada mais. Um frustrado que ninguém conhece, mas que teima em ser o seu anônimo íntimo. Sei, sei que é assustador e invasivo, mas o que há de se fazer? Continuar com medo? Logo da minha persona de Cérbero? Relaxe. É só uma fantasiazinha que não mete medo em ninguém. Afinal, as únicas portas que guardo são as do meu inferninho particular. Aquele que ninguém lê.
Eu assumo. Esta crônica é na verdade, um desabafo rancoroso de quem não sabe nem para onde atira e muito menos qual é o alvo de tal ódio. Queria poder dar nomes aos bois e listá-los por ordem de prioridades, mas não sei nem por onde começo. E a voz.... a voz.... essa maldita voz da consciência que me perturba e que me impele a escrever, mesmo sem um assunto na ponta da pena que o valha. Essa maldita voz que me empurra na direção do abandono, da desesperança e da solidão, meus fiéis companheiros; a mesma voz que ora me levanta nas alturas em júbilo obsceno, ora me atira às profundezas da mesquinharia.
É, você tem razão, eu sou um burro. E não me refiro ao falante da história bíblica nem o da obra de Monteiro Lobato.
Sou uma besta prestes a jogar fora uma preciosa fatia do meu tempo na confecção desta coletânea de abobrinhas, na vã tentativa de me tornar um escritor pior e assim, ter do que reclamar. Tenho comido de menos e fumado demais, sem achar graça nenhuma na vida e com a nebulosa certeza de que sou um caso perdido. Por isso é que escrevo. Se eu fosse realmente esse "cara valente" que acreditei que fosse a vida inteira, teria feito como Hemingway. Ele foi mais corajoso, não é verdade?
Como não disponho nem de uma carabina e nem de colhões para tanto, resigno-me à situação e toco a minha vidinha sem graça sem lirismos, nem conversa fiada. A vidinha de um cara que escreve e nada mais. Um frustrado que ninguém conhece, mas que teima em ser o seu anônimo íntimo. Sei, sei que é assustador e invasivo, mas o que há de se fazer? Continuar com medo? Logo da minha persona de Cérbero? Relaxe. É só uma fantasiazinha que não mete medo em ninguém. Afinal, as únicas portas que guardo são as do meu inferninho particular. Aquele que ninguém lê.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Tiro no pé.
Não sei se de carona na razão ou na rasura me aboleto. De tanto apanhar loucura emprestada dos outros, caí na esparrela de botar na caixa de miolos a ideia mais fixa que Corega em boca de banguelo de levar essa vidinha classe mediana ilhoa e aculturada a sério. Eu bem que fiz um esforcinho, mas o meu bucho não teve talento pra digerir essa pachequice toda.
O negócio é que aprendi que, quando se fala em produção cultural na muralha verde, que é de onde menos se espera, não sai nada mesmo. Não adianta dizer ou fazer aquilo em que se acredita e pensar que algum cacique azedo não vá meter o pau e balangar o beiço em desaprovação. Fazer e transmitir cultura nesta terra de botocudos de All-Star é coisa pra maluco ou desavisado, e ai de quem pensar o contrário.
“Ah, mas temos tantas manifestações culturais que estão em evidência”, diriam alguns... Os mesmos que ocupam lugares privilegiados ou que de alguma forma se beneficiam das manobras desastrosas e/ou mal-intencionadas das secretarias responsáveis pela organização, e por que não dizer, da devoção burra e preguiçosa ao mais do mesmo. Fala sério! Vamos diversificar, cambada! É preciso ceder para conquistar. E eu não to falando do “puder”, não. Dar passagem ao novo e verdadeiramente bom é o mais importante.
Eu, por meu turno, faço a minha parte. Sei que isso parece discurso de quem está por fora da mamata e admito que provavelmente seja isto mesmo. Reconheço solenemente a minha ruindade fonética, semântica e estilística, ao mesmo tempo em que assumo a minha inaptidão em lidar com o teor de canalhice dos que não se assumem como porqueiras e se agarram desesperados feito carcará nos bagos de quem decide os rumos do que é produzido e veiculado por aqui.
Fazer isso é mole, não vejo problema nenhum. Aliás, nem tenho a falsa pretensão de acreditar que alguém possa se comover e afogar as meninas dos olhos se, por acaso, essa minha brabeza de Coronel Ponciano traduzida para o português, com acordo ortográfico e tudo mais cair em suas mãos incautas. Eu, pelo menos, dou a cara pra bater e não ganho nada pra isso. Tem gente que ganha pra isso e dá outra coisa pra bater ao invés da cara...
É imperativo refrescar corretamente as bandas do predicado nadegal e dar lugar a quem quer usar a cabecinha fervilhante de ideias com algo que realmente valha a pena ser transmitido de uma geração à outra. Cultura é isso, amigos. Levada ao pé do Aurélio é o processo ou estado de desenvolvimento social de um grupo, um povo, uma nação, que resulta do aprimoramento de seus valores, instituições, criações e o escambau. Há de ser assim, meus caros. Caso contrário, a nossa culturinha morre de fome. Tá na hora de efetivamente se construir uma identidade cultural e artística capixaba, abafada durante tantos anos e que agora ousa em por as mangas de fora ao questionar a eficácia do binômio panela de barro/congo.
Dói-me o cocuruto saber que por aí está coalhado de gente talentosa, com vontade de fazer a diferença e ensinar a barbudos, falsos cabeças e purpurinados platicéfalos engessados pela burrocracia que a cultura salva, e mais de uma vez.
Agora, o que me derruba os cabelos de verdade é saber que ninguém vai sequer se dar ao trabalho de levar a sério essas sandices que acabo de escrever. É mais um exemplo de produção, cultural ou não, natimorto. Bom, pelo menos houve esforço. É assim mesmo, cada um mostra o que tem. Quem não tem nada de bom, mostra o que pode. Quanto a mim, só me restou mostrar a cara-de-pau e o bolso vazio.
O negócio é que aprendi que, quando se fala em produção cultural na muralha verde, que é de onde menos se espera, não sai nada mesmo. Não adianta dizer ou fazer aquilo em que se acredita e pensar que algum cacique azedo não vá meter o pau e balangar o beiço em desaprovação. Fazer e transmitir cultura nesta terra de botocudos de All-Star é coisa pra maluco ou desavisado, e ai de quem pensar o contrário.
“Ah, mas temos tantas manifestações culturais que estão em evidência”, diriam alguns... Os mesmos que ocupam lugares privilegiados ou que de alguma forma se beneficiam das manobras desastrosas e/ou mal-intencionadas das secretarias responsáveis pela organização, e por que não dizer, da devoção burra e preguiçosa ao mais do mesmo. Fala sério! Vamos diversificar, cambada! É preciso ceder para conquistar. E eu não to falando do “puder”, não. Dar passagem ao novo e verdadeiramente bom é o mais importante.
Eu, por meu turno, faço a minha parte. Sei que isso parece discurso de quem está por fora da mamata e admito que provavelmente seja isto mesmo. Reconheço solenemente a minha ruindade fonética, semântica e estilística, ao mesmo tempo em que assumo a minha inaptidão em lidar com o teor de canalhice dos que não se assumem como porqueiras e se agarram desesperados feito carcará nos bagos de quem decide os rumos do que é produzido e veiculado por aqui.
Fazer isso é mole, não vejo problema nenhum. Aliás, nem tenho a falsa pretensão de acreditar que alguém possa se comover e afogar as meninas dos olhos se, por acaso, essa minha brabeza de Coronel Ponciano traduzida para o português, com acordo ortográfico e tudo mais cair em suas mãos incautas. Eu, pelo menos, dou a cara pra bater e não ganho nada pra isso. Tem gente que ganha pra isso e dá outra coisa pra bater ao invés da cara...
É imperativo refrescar corretamente as bandas do predicado nadegal e dar lugar a quem quer usar a cabecinha fervilhante de ideias com algo que realmente valha a pena ser transmitido de uma geração à outra. Cultura é isso, amigos. Levada ao pé do Aurélio é o processo ou estado de desenvolvimento social de um grupo, um povo, uma nação, que resulta do aprimoramento de seus valores, instituições, criações e o escambau. Há de ser assim, meus caros. Caso contrário, a nossa culturinha morre de fome. Tá na hora de efetivamente se construir uma identidade cultural e artística capixaba, abafada durante tantos anos e que agora ousa em por as mangas de fora ao questionar a eficácia do binômio panela de barro/congo.
Dói-me o cocuruto saber que por aí está coalhado de gente talentosa, com vontade de fazer a diferença e ensinar a barbudos, falsos cabeças e purpurinados platicéfalos engessados pela burrocracia que a cultura salva, e mais de uma vez.
Agora, o que me derruba os cabelos de verdade é saber que ninguém vai sequer se dar ao trabalho de levar a sério essas sandices que acabo de escrever. É mais um exemplo de produção, cultural ou não, natimorto. Bom, pelo menos houve esforço. É assim mesmo, cada um mostra o que tem. Quem não tem nada de bom, mostra o que pode. Quanto a mim, só me restou mostrar a cara-de-pau e o bolso vazio.
Tratado sobre a amizade.
Somos animais que se relacionam norteados pela premissa básica da proteção que um grupo maior oferece, e esse grupo é definido não pelas qualidades individuais, mas pelo nível de fluidez e afinidade dos nossos desvios de caráter. Ou seja, o artifício desenvolvido pelo Homo Sapiens para assegurar a paz e a boa con (veniência) vivência entre seus pares nada mais é que a sua tendência a ser canalha. A começar por este que tecla.
A velhacaria impera nesse mundão de meu Deus. O engraçado é que alguns tipos de safadagem encontram coro em uma costela igualmente pilantra e, quando isso acontece, o dito adjetivo muda de mala e cuia para outro ramo lexical. O sem-vergonha passa a ser “uma figura”. Aí, tudo vira festa, e tome mais uma gelada, vanja vai, vanja vem, o infeliz canta a sua senhora, você finge que não viu pra não se aborrecer e pronto.
Da cabecinha ressentida da falta de aditivos do papai aqui escapolem considerações a respeito dos motivos que levam quem não vale a merda que o gato enterra a fazer o que faz. Quase sempre o cabra se faz valer do fato de ser o mais divertido da turma, o piadista, o bonitão ou tudo no mesmo pacote. O ponto G da questão é que o pobre coitado do certinho, aquele, o fodidinho, que anda na risca de giz da vida com um mínimo de retidão, invariavelmente se nega solenemente a aceitá-lo como mais novo melhor amigo_ por ver em seus olhos uma pá de más-intenções_ e acaba por encontrar uma pedra no caminho: o rótulo de chato.
E o “título de nobreza” pega pra valer, ainda mais se o Caxias em questão for um cara desprovido de estratégia. Para o danado, tudo no fiofó. Nada de novos amores ou novos ódios, nada de ideias frescas com a vocação inata pra fazer o babaca mais próximo arreganhar os dentes. Pra poder brigar com o pé-de-malvadeza em questão, é preciso muito conhecimento acerca da personalidade das demais “figuras” com quem você e o palhaço dividem a mesa no boteco, a alcova ou o papo de uma sala de espera qualquer. Pra começo de conversa, é imperativo fazer um exame de consciência e se fazer a seguinte pergunta: quais são os critérios usados na escolha dos seus amigos?
E eu respondo que se você se pautou pela simpatia ou pela empatia, se lascou, meu caro. O que realmente solidifica uma amizade, seja ela verdadeira ou não, não é exatamente uma ou outra virtude, que isso até uma zebra está cheia. O que conta de verdade é o quanto você é capaz de suportar o teor de canalhice do outro. Seja por conveniência, solidão ou, principalmente falta do que fazer. Não importa o motivo, desde que ao lado de outro igualmente sem-vergonha você seja a maioria. É isso ou pedir penico e viver só. Mas sejamos sinceros: Há penico pra todo mundo?
A velhacaria impera nesse mundão de meu Deus. O engraçado é que alguns tipos de safadagem encontram coro em uma costela igualmente pilantra e, quando isso acontece, o dito adjetivo muda de mala e cuia para outro ramo lexical. O sem-vergonha passa a ser “uma figura”. Aí, tudo vira festa, e tome mais uma gelada, vanja vai, vanja vem, o infeliz canta a sua senhora, você finge que não viu pra não se aborrecer e pronto.
Da cabecinha ressentida da falta de aditivos do papai aqui escapolem considerações a respeito dos motivos que levam quem não vale a merda que o gato enterra a fazer o que faz. Quase sempre o cabra se faz valer do fato de ser o mais divertido da turma, o piadista, o bonitão ou tudo no mesmo pacote. O ponto G da questão é que o pobre coitado do certinho, aquele, o fodidinho, que anda na risca de giz da vida com um mínimo de retidão, invariavelmente se nega solenemente a aceitá-lo como mais novo melhor amigo_ por ver em seus olhos uma pá de más-intenções_ e acaba por encontrar uma pedra no caminho: o rótulo de chato.
E o “título de nobreza” pega pra valer, ainda mais se o Caxias em questão for um cara desprovido de estratégia. Para o danado, tudo no fiofó. Nada de novos amores ou novos ódios, nada de ideias frescas com a vocação inata pra fazer o babaca mais próximo arreganhar os dentes. Pra poder brigar com o pé-de-malvadeza em questão, é preciso muito conhecimento acerca da personalidade das demais “figuras” com quem você e o palhaço dividem a mesa no boteco, a alcova ou o papo de uma sala de espera qualquer. Pra começo de conversa, é imperativo fazer um exame de consciência e se fazer a seguinte pergunta: quais são os critérios usados na escolha dos seus amigos?
E eu respondo que se você se pautou pela simpatia ou pela empatia, se lascou, meu caro. O que realmente solidifica uma amizade, seja ela verdadeira ou não, não é exatamente uma ou outra virtude, que isso até uma zebra está cheia. O que conta de verdade é o quanto você é capaz de suportar o teor de canalhice do outro. Seja por conveniência, solidão ou, principalmente falta do que fazer. Não importa o motivo, desde que ao lado de outro igualmente sem-vergonha você seja a maioria. É isso ou pedir penico e viver só. Mas sejamos sinceros: Há penico pra todo mundo?
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